4.5.09

Clones



I think I saw you in the shadows
I move in closer beneath your windows
Who would suspect me of this rapture?
(Black Hearted Love, PJ Harvey and John Parish)


Hi5, orkut, facebook, twitter... A todas elas eu torcia o nariz, mas, instigado por amigos ou pela curiosidade, a desconfiança inicial, justificada ou não, acabou por abrir brechas. Não veio dai mal ao mundo, pensei quando cedi pela primeira vez... Só que a tentação de espreitar pelo buraco da fechadura é uma coisa lixada - diria mesmo que perversa - e, de cedência em cedência, só praticamente o hi5 não me levou a melhor até hoje.

O que fazer quando a fraqueza humana, mais do que sugerida ou permitida, é estimulada, induzida? Nos últimos tempos, confesso, não resisti a espreitar a várias janelas no cada vez mais escancarado universo rainbow. Fi-lo não tanto movido pelo instinto de caça - embora também não esteja acima de suspeita -, mas mais pela adrenalina de poder andar por ali a bisbilhotar à vontade, sem compromisso e sem culpa - porque o risco de passarmos nós a ser o alvo da curiosidade alheia faz, desde logo, por muitas precauções que se tome, parte das premissas do jogo.

Nem fui mais longe, fiquei-me apenas pela rede portuguesa do facebook. Primeira conclusão óbvia: a avaliar pela amostra, não se pode chamar universo ao que não passa de uma aldeia. Se (ainda) não se conhecem todos, a rapaziada de uma certa comunidade gay imita muito bem. Chega a ser assustadora a facilidade de encontrar quem se procura - e quem se acha sem estarmos sequer à procura... Adiante. Próximo reparo: fico pasmo com a quantidade de gajos po-dres de bons no pequeno burgo de Lisboa e arredores (onde é que se escondem, durante o dia, essas criaturas?). Nem é que sejam todos bonitos, muitos têm é corpos de fazer inveja (inveja a tipos como eu, entenda-se, que não passo da cepa torta apesar das boas intenções...).

Como não é um meio onde me mova ou interaja, qualquer que fosse a direcção seguida, eu sentir-me-ia, inevitavelmente, um penetra num clube só para sócios. Guiei-me na minha busca por algumas referências, não só estéticas, que pudessem ser comuns e fiquei, não digo surpreso, mas intrigado quando, independentemente da profissão ou do nível intelectual - e sim, tenho plena consciência de que, ao ligar-me a estas variáveis, já estou a fazer um (pré)julgamento -, 8 (vá lá, 7) em cada 10 gajos parecem gémeos idênticos... O mesmo tipo de compleição física (com cinturas de vespa capazes de fazer inveja a muita menina e quase invariavelmente depilados de alto a baixo), de corte de cabelo, de acessórios (com destaque para os óculos de aviador, as camisas cintadas e as t-shirts com decote em V coladas à silhueta), de poses e até de cenários [das boates Frágil ou Lux até às mo(á)vidas de Ibiza ou Miami]...

Dá que pensar... Sobretudo, quando eu, repito, me tenho mantido à margem de toda esta realidade paralela e, ainda assim, já me reconheço nalguns (não todos, felizmente) tiques. M-E-D-O.

6 comentários:

Latinha disse...

Engraçado como essas coisas se multiplicam... há quem seja "especialista" em avaliar potenciais presas atraves da "análise do perfil". Já conheci uma pessoa assim...

Cousa de doido!!! ;-)

Abração! Boa semana para ti!

Edu e Mau disse...

Pois é... pelo menos tem o pinguim pra fugir do padrão!! :-)

Piriboy disse...

Esse corpos "danone" mais as suas cinturinhas de vespa e silhuetas invejáveis já andaram a "assombrar" os meus pensamentos durante muito tempo. Não no sentido de desejar "caçá-los" (apesar de haver um ou outro que tão bem ficaria como presa minha), mas sim no sentido de dar por mim a pensar o seguinte: Se esses gajos são, de facto, pérolas e em todos os aspectos apetecíveis, haverá mesmo necessidade de se fazerem encontrar através de sites de engate como tantos que há por aí? Talvez não tanto hi5 ou facebook, mas, por exemplo, gaydar. O gaydar está cheiinho de boas visões que, para além de deixar águas na boca, denunciam também a sua recorrência (o mesmo perfil com as mesmas fotos ano após ano após ano). Faz-me pensar que, se calhar, a maioria desses corpinhos invejáveis, não passa de um belo embrulho pelo natal que contém talvez apenas... sei lá... um par de meias?

Cada vez mais se vê, de facto, perfis em todo o lado que se assemelham cada vez mais a páginas de revista cor-de-rosa. A mim faz-me confusão o tamanho descomunal dos passos que são dados ao encontro da superficialidade e da aparência.

São bonitos sim. São tão bonitos. Mas em quantos casos não serão apenas isso: comidinha para os olhos?

FOXX disse...

por isso q digo que o mundo só tem 3 pessoas
eu, vc e alguém que a gente conhece


sobre o amor: será q todo mundo encontra mesmo? cedo ou tarde? bem acho q o meu será bem tarde

pinguim disse...

Edu
fizeste-me rir a valer; e eu bem precisado estava disso...
Como diz o outro: e há quem goste, posso assegurar-te!
Abraço a ambos.

Rui disse...

tens que me indicar o teu critério de selecção... eu já há muito que deixei de encontrar (em hi5's, facebook's, na noite, na cama?) esse tipo de gajos. Sei que os há, mas não os vejo. Sobretudo nessa quantidade.
Será o meu instinto de sobrevivência a impedir-me que voe out of my league?...
:)
De qualquer forma, e em relaçãp a esses tipos, 2 frases:
1. gostava de saber onde vão ao tempo e ao dinheiro; eu não consigo arranjar nem um, nem outro - será má vontade minha? desorganização?
...
2. noutro registo, fica o facto: esses tipos efectivamente não têm muito conteúdo. a não ser que, realmente, não precisem de trabalhar. os (poucos) que conheci e que trabalhavam, faziam-no, ginasiavam (3h/dia), clubbingavam... e não dava pra mais.
o que sobra dá-lhes pra clichés como serem fãs de glaciar water no facebook (sem desprimor prá glaciar water). m-e-d-o...
(e isto não é tudo inveja: penso muitas vezes: "rui, devias ir 3h por dia ao ginásio, todos os dias, e ter ao menos um grande corpo, já que não és lindo".
mas e depois quando alguém efectivamente contacta, fala-se do quê?
se bem que assim há o oposto: ninguém contacta...
enfim, sobre a imagem ser um cartão de visita, digo-te: era bom que toda a gente andasse de currículo e ninguém com cartão de visita.
mas depois também cansava...
como diria a minha diva, "eu não sei quase nada do mar", a não ser que está cheio de peixões desconhecidos e não tenho anzol pra tanto. :p
(tou sem sono e só agora te consigo ler. abração. fui! ;))