20.4.09

After 30's

I can see the end, of what I've become
A tale of love, come and gone
And now my love, now promises
I wont go falling in love
(Velvet, the Big Pink)


O manifesto "há vida depois dos trinta" já soa a fraco consolo e não falta quem, no afã de provar que ainda está ai para as curvas, até se dê ao trabalho de imprimir no peito a frase lapidar "a vida começa depois dos trinta".

Não vou tão longe, mas digo, sem grandes pruridos, que, quando olho para trás, não sinto grande nostalgia dos meus anos 20. Nesta década, entre ganhos e perdas, ganhei mais do que perdi. Depois, e com tanto trintão (e não só, abençoados Clooney e Pitt, só para citar dois quarentões óbvios) enxuto por ai, nós, os comuns mortais, conquistámos até o direito de estar (e de parecer) bem sem termos de passar pelo despautério de escutar coisas do tipo "julgava que eras bem mais novo"! Mais novo o tanas, afinal a Idade Média já passou à história e se morremos cada vez mais tarde, o mínimo que se pode esperar de alguém nos trinta é que faça por aguentar a peteca. Ou não, que cada um sabe de si.

Curiosamente, o estigma dos trinta continua a fazer estragos no ego e muitos, mesmo os tais que até "passam por menos" (ou talvez exactamente por isso), cedem à tentação de mentir na idade... Aconteceu-me há dias de reencontrar online um velho conhecido, que, sem o menor pejo, na hora de se insinuar resolveu tirar, que eu desse conta, uns quatro anos da sua certidão de nascimento. Para azar do tipo, eu tenho muito boa memória, mas, a fina ironia é que ele nem tinha por que mentir.

Por estas, e por outras, um outro amigo meu brincou comigo e, à laia de provocação, resolveu atirar-me "onde é que fica a tua fonte de juventude?". Ri-me, pois então. Mas fiquei a matutar naquilo. E se, como dizem agora, Darwin sempre teve com a razão do seu lado? Sim, e se andamos para aqui todos ufanos a achar que demos a volta à Natureza quando, na verdade, ela é que continua a dar as cartas?

Passa-me, de repente, pela cabeça a ideia de que o imperativo de nos mantermos jovens aos 30, 40 (e por ai adiante) pode não passar de um estratagema, de um recurso da Natureza, necessário a todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, ainda não cumpriram o seu papel na evolução... É uma tese demasiado determinista para quem, como eu, acredita piamente no livre-arbítrio, mas, ainda assim, não totalmente destituída de (alguma) lógica. Olho para mim, por exemplo, e enxergo-me no pleno dos meus 30's com uma série de coisas por resolver - continuo solteiro, tive de me reinventar profissionalmente e voltei a ponderar, seriamente, a hipótese de senão viver, pelo menos de passar largas temporadas num outro país (que é assunto para um outro post) - e interrogo-me se não preciso efectivamente de me manter jovem para levar a cabo tudo aquilo que (ainda) não realizei?

7 comentários:

Latinha disse...

Eu nunca tive problemas com a idade e também não gostaria de voltar no tempo, na verdade a cada dia, ou ano, que se vai... me sinto mais confortável na minha pele.

A juventude está ligada para mim a um postura perante a vida, eu acho que sou "mais jovem" hoje do que era nos 20! Como diria um primo que eu tenho, "para que a gente vai brincar, vamos se juntar!". O melhor é juntar a vida e o nosso espirito... e dai sim vamos realmente parecer jovens... sem necessariamente apelar para roupas e outros recursos!!!

;-) Abração!

E conta o segredo depois! kkk

pinguim disse...

Há um velho ditado que afirma: "velhos são os trapos..."
O principal problema que a idade nos vai trazendo é a não aceitação por nós mesmos dessa natural evolução.
Longe, bem longe dos teus "trinta", claro que recordo com saudades esses tempos, mais por razões de ordem de disponibilidade do que quaisquer outras. Sempre vivi muito bem com a minha idade e mesmo agora, no início dos sessenta, continuo, apesar de maleitas que vão aparecendo aqui e ali a usufruir os prazeres que a vida me dá, acrescidos de una experiência que é muito enriquecedora; e mesmo no campo afectivo, se há a grande maioria das pessoas que põem de lado o interesse por gente da minha idade, nunca tive que mendigar afectos ou sexo, pois há gostos para tudo, e, neste infeliz ano de 2009 (para mim) em que já perdi dois entes queridos, não porque tivessem excesso de idade, cada vez mais estou convicto que é preciso viver intensamente o dia a dia, pois para morrer, basta estar vivo e cada vez mais vejo gente bem mais nova que eu partir...
Abraço amigo.

Rui disse...

1. Sigo a tua linha de raciocínio mutas vezes(deste e doutros posts - por agora, fiquemo-nos por este) e chego de facto à mesma conclusão idêntico número delas. Quem se quer manter "no jogo" tem que ser jovem. E mais: a juventude é curta, vai até aos 29 talvez, e no máximo até aos 35 (nesse caso, se conseguires "estar bem" e mentir que tens 29 - na prática, é o mesmo... ;)). Experiências com perfis gaydar: idade 32 - 0 visionamentos; idade 26-27-28 - vários visionamentos (mas 0 contactos, pq percebem q é mentira - eu não disfarço mm nada a idade); idade 20's e uma foto qq de alguém de 20's (mesmo que com um aspecto desgraçado) - n visionamentos e n-x contactos. O n.º de visionamentos, como é bom de ver, aumenta quando a idade diminui; o rácio contactos/visionamentos aumenta com a beleza do sujeito.
Beleza e juventude contam.
Passam rápido (e a 1ª pode nem chegar a existir) e é de aproveitá-las.
Porque é que na maioria das relações, as pessoas se encotram aos 20's?? É o nosso pico, depois é sempre a descer...
E quantas pessoas não estão fartas da relação aos 30's, mas depois já não têm coragem pra procurar outra? Pq têm receio de já não conseguir...
E sabes? Começo a achar que de facto, têm razão.
Quem, de verdade, pode dizer que não acha mais piada (sexual) a um meninão de 25 que a um tipo de 35?
...
Voltei ao ginásio há 2 meses (sem grandes resultados até agora - mas voltei) precisamente pq, depois de mto espernear ("a beleza não interessa, o aspecto não interessa, a inteligência é tudo, e o sentido de humor, e...") assumo: o aspecto interessa. Interessa-ME. Gosto de putões de 25. Gosto de 30tões enxutaços. Não serve de nada terem todas as qualidades morais possíveis se não me derem tesão. E mais directamente: não serve de nada EU ter todas as qualidades possíveis (que, ainda por cima, não tenho...) se não der tesão a vivalma.
O clímax físico acontecia aos 20 quando a esperança de vida eram os 50. Agora que passou pra 80, a natureza deveria ter tido a bondade de empurrar o clímax para os 30. Não empurrou. Então, é quem está ainda "no activo" que vai ter que o "puxar".
É uma grande maçada mas não vejo mesmo volta a dar... A não ser cruzar os braços e assumir a derrota.
E isso não faço.
...
2. Gostava muito de te conhecer. Muito.

Edu e Mau disse...

Xi, esse Rui tá por fora... muito no "mundinho" ainda... Quarentões, cinquentões, sessentões (e mais!) têm uma manada de fãs babando atrás deles!

Mas se ele quer te conhecer... vai lá! :-)

Uillow disse...

Apesra de ter medo de virar um "trintão" (sendo sincero), não vou ter vergonha da idade quando ela chegar, pelo contrário: vou ter certo orgulho até, pra poder contar as coisas que passei até chegar ali. Lógico que quero estar "bem conservado" e ser um trintão enxuto... heheh!

Muito bom te reencontrar no MSN, meu caro!
Apareça mais vezes!

Grande abraço!

FOXX disse...

parei no "comum mortal" ali
eu sou um comum mortal
vc DEFINITIVAMENTE está muito mais próximo aos clooneys e pitts,

D-E-F-I-N-I-T-I-V-A-M-E-N-T-E

Piriboy disse...

Isto das idades tem muito que se lhe diga. Bem vivida, a vida oferece aspectos deliciosos para cada faixa etária.

Olhando para a vida como um percurso de aprendizagem, temos mesmo é de abraçar cada nova década e fazer dela uma nova etapa no nosso crescimento pessoal. Ficamos assim mais próximos do que realmente somos e mais capazes de nos fazer felizes (e àqueles que nos rodeiam que me conquistaram o nosso bem querer).

Por muitos aniversários que já tenhamos vivido, há sempre espaço para fazermos por contar ainda mais. Por fazer ainda mais. E não há nada mais gratificante do que viver a nossa vida com a sabedoria que ela própria nos dá.