27.1.08

Parêntese


Poor is the man whose pleasures depend on the permission of another
(Justify my Love, Madonna)


Ainda a propósito do último post… Interessante a mania de se insistir em confundir a falta de interesse de um homem por uma mulher em particular com total ausência de interesse e/ou desejo desse mesmo homem pelas mulheres em geral. Eu não consigo entender a sexualidade dessa forma ― ou consigo, mas ai, permitam-me desconfiar, se não se importam, de que estamos a falar de um mundo a preto e branco.

Não me entendam mal: a-d-o-r-o preto e branco (até por razões que agora não vêm para o caso), mas não abdico de enxergar todas as outras cores e as suas mil cambiantes.

E sim, mesmo que isso implique demorar mais tempo a assimilá-las.

Até há bem pouco tempo, não sabia como decifrar (quando mais explicar aos outros…) o facto de sentir uma maior atracção por mulheres do que por homens ― no sentido mais óbvio do termo, ou seja, um homem bonito é-me infinitamente mais indiferente do que uma mulher bonita ―, e ainda assim ter maior tesão por eles do que por elas. Mas deixei de me ralar com isso (mentira: a questão continua a intrigar-me e, até certo ponto, a condicionar-me, mas estou cada vez mais inclinado a achar que a resposta, a existir, não me chegará como uma revelação divina).

Freud que explique ― e nem ele foi capaz, quer-me cá parecer…

Quero acreditar que nem tudo na vida precisa de ser analisado, esmiuçado ou entendido. Para começar, aceitei, por exemplo, que no meu caso, e independentemente do género, atracção, desejo e vontade podem ou não coincidir. Confuso? Talvez. Anormal? Só se eu quiser que seja. E eu não quero.

Quero o preto. Quero o branco. Mas também o encarnado. Preciso de todos. E não necessariamente nessa ordem ou para o mesmo fim. "So, now what?"

13 comentários:

edu disse...

pobre de quem precisa permissão e de quem precisa de explicação! eu adoraria gostar de pererecas também! maiores possibilidades de ser feliz! :-)

rato do campo disse...

Cada um às suas, e quem vier atrás que feche a porta! Abraço!

Goiano disse...

só para desestabilizar:
eusou branco...
esta interessado?auhahuauhahu

Latinha disse...

Bom... talvez por um pouco de malvadeza da minha parte, eu acredito que devo confundir muito as pessoas, mas acho que faz parte do charme "natural" ehehe.

Concordo com você, quando diz que nem tudo precisa ser analisado e aceito este como um dos meus principais desafios.

Adorei o post... (os 2!)

Megafashionist disse...

Prefiro o preto, as vezes acho o vermelho bonito e já curti muito o branco... hehehe

Comentário nonsense mode ativado!

Uillow disse...

Ooooz! Sério mesmo que tu tem essa divisão? Uia... vivendo e aprendendo!

Citei nossa conversa de ontem no blog, Anjo. Dá uma passada lá!

Beijo, Ora-Pois!

Alberto Pereira Jr. disse...

adoro todos os tons que existem entre o preto e o branco... variedade e abrangência são coisas ótimas!

Kokas disse...

Porque é que insistimos em confundir o fascínio com o desejo e... mais: o desejo com o prazer.???

Aquele abraço!

Goiano disse...

ozzz aguardo ansiosamente a contra minuta

Einstein Halking disse...

Para quê exigir uma postura tão radical se pode gostar do cinza? Abraços.

socrates dasilva disse...

se tudo na vida necessitar de uma explicação... podiamos todos esperar sentados.
Bem vindos ao clube!

Graduated Fool disse...

Não estou muito longe de concordar contigo pensando do mesmo modo.

Anónimo disse...

Aprendi muito