Underwear por Hammerthor para a Comme des Garçons, in Wallpaper Dez. 2007
Surround me with your love
Understand me
I need you now
Surround me with your words
Understand me
I need your love
(Surround me with your love, 3-11 Porter)
Chateiam-me os cretinos que gostam de meter todos os gays no mesmo saco, atribuindo-lhes tiques e manias que beiram quase sempre a caricatura. Mas fico ainda mais lixado da vida quando constato que, às vezes (e só às vezes), até têm uma certa razão. Vai daí, e como tenho sentido de humor, hoje tirei o dia para me dar à paródia (brincadeira, para quem não conhece o termo).
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Ligo o telemóvel (celular) e tenho uma mensagem escrita de um tal Rui P.
- Rui P., que Rui P.? Pergunto-me
- Ah, o Rui!
Fez-se luz. O rapaz, que já mereceu algumas referências no meu blogue anterior, mudou-se com os atoalhados e apetrechos para um novo salão e resolveu comunicar-me.
- Filho da mãe! Logo agora que eu já me tinha habituado ao canapé de veludo lascivamente encarnado e àqueles olhos cravados nas minhas costas enquanto esperava pela vez.
Detalhe: os olhos espetados estão num papel de parede ― com a estampa Tema e Variazioni, de Piero Fornasetti ―, e o Rui não é massagista nem garoto de programa. Trata-se, apenas, de um tipo simpático a quem não adiantava de muito eu explicar o que queria ― invariavelmente, ele sorria, dava-me a entender que tinha percebido exactamente o que eu pretendia e depois fazia o que lhe dava na real gana! ―na hora de ele me cortar o cabelo. E agora, o que faço? Vou ou fico? Já não se fazem mais barbeiros como antigamente, é o que vos digo…
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Fim de tarde dedicado a algumas compras. O perigo dos empórios multimarcas é, se não tivermos o devido foco, acabarmos sempre em secções onde não era suposto… Eu até tenho, por agora pelo menos, o meu stock de roupa interior composto ― como já dei conta aqui, como se isso vos interessasse muito! ―, mas, uma coisa leva a outra, e quando vi já era tarde ― e não, a Comme des Garçons ainda não recorreu a rapazes bem apessoados como o que vem na produção da Wallpaper de Dezembro (caso para dizer que o Natal chegou mais cedo para alguns!), na foto acima, para promover, ao vivo e a cores, a sua nova linha de underwear masculina.
Desperta-me a atenção a marca espanhola UDY. Conhecida por tirar o habitual cinzentismo às cuecas, utilizando cores como o “encarnado diabólico” ― okay, começo a notar aqui um padrão recorrente; primeiro foi o sofá, agora são as cuecas… ― ou colocando caveiras em lugares anatomicamente estratégicos, a UDY lançou o slip Wonderman.
Fiquei intrigado, claro.
Pois é, meus caros, com as cuecas brancas certas podem dar uma melhorada no vosso perfil. Como? Se no caso das mulheres, o sutiã-maravilha sobe e junta as amigas para a apoteose final "unidas venceremos", já o truque da cueca-maravilha está numa pequena bolsa na parte da frente, onde se acomoda o dito cujo. É o suficiente, diz quem experimentou (?), para se olharam ao espelho e perguntarem: de onde saiu aquele tipo confiante que me sorrie do outro lado?!
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A dúvida não me tirava o sono, mas deixava-me inquieto.
Sim ou não?
Sim ou não?
Sim ou não?
Por fim, e depois de umas experiências anteriores ― não muito bem sucedidas, devo admitir ― resolvidas no fio da navalha, resolvi que tinha de pagar para ver.
Paguei (e não me saiu barato!).
Marquei hora e lá fui. Mandam-me entrar para uma sala, com musiquinha de fundo e tudo ― deve ser para relaxar! Dispo a camisa e deito-me de costas na marquesa. Ela entra. Esfrega-me o peito e abdómen com uma loção desinfectante e depois passa pó de talco. Pergunta-me se pode baixar um pouco mais as calças na linha da cintura. Digo que sim, para ficar à vontade. Vamos falando e eu faço de conta que nem estou a prestar atenção à mistela viscosa que ela aquece à parte para não solidificar. E começou então a tortura...
Não sei o que foi pior: se a cera a grudar-se nos meus pelos, se o calafrio de antecipação sempre que ela se preparava para puxar (arrancar?) mais uma banda, se a visão da minha pele intumescida. Mas não soltei um ai.
Sim, que um homem pode até depilar-se, mas não se queixa como um mariquinhas! Agora, perguntem-me lá se vou repetir a graça?