Quanto mais se é obcecado pelo sexo,
mais sentimentais nos tornamos;
desconfiar sim daqueles a quem o sexo não interessa.
Há qualquer coisa neles que dá medo.
(tradução livre de uma citação de Michel Houellebecq)
Subverter a ordem habitual das coisas. Gosto disto. Por isso, hoje, troquei as voltas ao (pré)estabelecido e comecei antes por uma citação, com a qual nem concordo muito, mas serve o propósito da provocação. E eu gosto de (vos) provocar. Não muito, só um pouco. As imagens vêm depois. Quanto à música, lembrei-me de uma muito bonita – eu acho – dos Clã, em que “E até nos momentos em que digo que não quero / E o que sinto por ti são coisas confusas / E até parece que estou a mentir / As palavras custam a sair / Não digo o que estou a sentir / Digo o contrario do que estou a sentir”. Estou assim, a modos que com um problema de expressão.

Estão a ver aquele momento em que o vosso cabelo está porreiro, mas amanhã, se não se puserem a pau, já desandou? Pois um destes dias acordei, olhei-me ao espelho e conclui que já estava no day after. Para remediar, fui ao meu cabeleireiro – até gostaria de lhe chamar barbeiro, que é mais viril, mas ele é mesmo cabeleireiro e, ao contrário de mim, parece nem estar ai para estereótipos -, que, para não variar, me ignorou estoicamente quando lhe pedi para não cortar tanto como da última vez, que eu até prefiro ver-me com o cabelo mais comprido e tal… Resignado à minha sorte – ainda hei-de perceber por que a maioria dos gays dá tanta importância ao cabelo, se depois muitos deles o usam muito curto, quase rapado… -, e enquanto sua eminência das tesouras dava os últimos retoques à freguesa do lado, distraí-me a folhear umas revistas de moda – é impressão minha ou boa parte dos modelos masculinos das grandes campanhas internacionais parece que acabou de sair dos cueiros? Tudo bem, nada contra um padrão de beleza mais andrógino, mas também não precisam de exagerar no quesito baby face, né? Felizmente, ainda há quem aposte num meio-termo apetitoso, como é o caso do manequim de Giorgio Armani (acima) que, mesmo com uma camisa aos favos, consegue ter ar de macho. Benzódeus-tão-perfeitinho (um assim é que eu precisava para levar a Mykonos…). Adiante.
Ficam desde já a saber: os calções querem-se muito curtos e esqueçam lá isso de andar com as cuecas à mostra. Passou. Está out.
L. mandou-me uma mensagem, há dias – semanas? -, a desafiar-me para irmos juntos a um jantar de bloggers que o Pinguim está a organizar. Um jantar de bloggers gays, que fique entendido (a posteriori, o Pinguim fez questão de esclarecer que não é um jantar de "bloguistas gays", talvez de maioria gay, mas não só gay, pelo que fica feita a correcção). Tenho perfeita consciência de que é apenas um ponto de partida e que ninguém ali - já falam em cerca de 50! - vai querer fazer disso o seu cartão de visita. É já no dia 19. Ainda não sei se poderei ir.

Tony Ward (vejam bem, está mesmo aqui por cima). Aposto que, pelo nome, também não chegam lá… Aquela barba impediu-me de o reconhecer à primeira, mas quando olho com um pouco mais de atenção não demoro muito a reconhecer as feições do rapaz que, há uns anos valentes, causou alvoroço no videoclip Justify My Love, de Madonna. Tirava-lhe a barba, mas o resto está de boa saúde e recomenda-se, como podem ver pela foto.

Na mesma revista, a edição francesa da Vogue Hommes International, num número especial dedicado ao erotismo, detenho-me na produção dedicado ao fétichismo, que faz capa também. É um universo distante do meu, mas a que ainda assim não sou totalmente indiferente. Acho que ninguém o é. Não sei bem porquê, a minha primeira reacção é imaginar-me a entrar, seguido pelo tipo das fotos (acima), no Hôtel Costes, em Paris… Quase consigo ver as caras de espanto, a fingirem um ar blasé – afinal quem frequenta o Costes não dá parte de fraco nem abre a boca de espanto -, à nossa passagem enquanto nos dirigimos ao elevador. Sim, admito, há um lado meu obscuro – reprimido, será? - que não se importaria nada de encostar à parede um bad boy destes, subvertendo por completo as regras do jogo. Couro preto, tatuagens, correntes, uma mansarda parisiense com veludos encarnados e reposteiros pesados. Combina tudo na perfeição. Na minha cabeça, pelo menos.
Aflige-me de certa forma a ideia de deixar um livro a meio, sem terminar de o ler para ver como a história acaba… Há meses que ando para trás e para a frente com um livro desses, está encalhado, eu sei, mas ainda assim não arranjei coragem para o despachar de vez. Comecei por o deixar à vista em cima de uma mesa, numa pilha, mas, a cada dia que passa está mais soterrado por papéis e outras coisas que chegaram depois. Já quase não vejo, mas sei que ele está ali. É chegada à hora de o colocar na prateleira, de onde, muito dificilmente, voltará a sair – quem não percebeu nada da conversa: não, não estou mesmo a falar de livros.
Apetece-me dizer a um certo alguém: não me digas aquilo que julgas que eu quero ouvir – sobretudo quando o que pensas que eu quero ouvir é o mesmo que dizes a todos os outros. Mostra-te antes como és e aí sim, eu vou começar a prestar atenção e a levar-te a sério.